Urgente acabar com o endividamento das Famílias

"É preciso criar leis que protejam os mais pobres do endividamento"

3 de fevereiro de 2006
Mesa que coordenou a reflexão/debate
É urgente acabar com o endividamento das famílias, esta é uma das conclusões do encontro de reflexão promovido pela Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos de Antas, Famalicão, em parceria com a Secção Cultural da Associação de Moradores das Lameiras e da Extensão Educativa do Ensino Recorrente de Vila Nova de Famalicão, no passado dia 2 de Fevereiro, nas instalações do Centro Social e Comunitário das Lameiras. Os 80 participantes que estiveram presentes neste encontro mostraram-se preocupados com o crescente endividamento das famílias, alguns dos quais também vítimas desta situação. Para ajudar no debate/reflexão, apresentaram comunicações: a Dra. Cândida Veloso, coordenadora concelhia do Ensino Recorrente, a Dra. Manuel Pinto, advogada e perita em defesa do consumidor, o Dr. Miguel Matos, economista e a Dra. Maria das Dores Oliveira, educadora de infância e autora do livro “Consumidores de Palmo e Meio”. Das comunicações apresentadas e do diálogo que se seguiu, os presentes concluíram que esta é uma realidade alarmante:
A) Uma realidade alarmante

Porque o dinheiro é curto, não chega e os salários não dão para tudo; são muitas as necessidades, mas o salário é só um, e quem tem dívidas, tem que as liquidar, doutro modo aparecem os processos judiciais, os despejos as penhoras de salários e outras situações desagradáveis. Não são só as empresas que vão à falência, mas também as famílias; o crédito hoje está muito facilitado, não só para a compra de casa, mas também de electrodomésticos, de carro, de telecomunicações, de férias, entre outros... As famílias têm muitas dificuldades em gerir os seus orçamentos familiares; os encargos mensais, em muitos casos são superiores aos salários; a falta de diálogo entre marido e esposa e pais e filhos fazem avolumar as desconfianças no seio da família, que trazem como consequência, em muitos casos, a violência doméstica, o divórcio e a separação; algumas famílias já recorrem ao crédito para pagar crédito; o endividamento em Portugal situa-se nos 130%, enquanto nos outros países europeus ronda os 100%. Os presentes reconheceram que vivemos tempos diferentes. Nos tempos dos nossos pais poupava-se e investia-se para depois comprar casa, terras ou precaver qualquer fatalidade. Hoje compra-se e depois pensa-se em pagar!

B) É urgente fazer inverter esta situação

É necessário que nas famílias todos dialoguem e decidam em conjunto o que comprar, entre o que é mais necessário, para que não se corra o risco de todos se acusarem mutuamente no que diz respeito às despesas efectuadas; é urgente investir mais na educação dos nossos filhos, de modo a que estes entendam que nem tudo o que aparece no mercado é para comprar e sejam ajudados a distinguir entre o útil e o acessório; a escola deve acompanhar e ajudar as famílias neste processo, pois a maior parte do tempo das nossas crianças é passado fora de casa e na escola. Para as famílias endividadas, existe sempre a possibilidade de renegociar as dívidas, tendo-se defendido que este é um meio a que se pode recorrer. Os presentes defenderam ainda que apesar de tudo a esperança não morre e o facto de um grupo tão numeroso de pessoas estar presente numa noite fria de quinta-feira para reflectir sobre o endividamento das famílias é sinal de que querem que algo de concreto mude nas suas vidas. Por fim, defendeu-se que o governo e os legisladores devem criar leis que protejam os mais pobres e ajudem a prevenir estas situações.

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